SAB’s mudam forma de atuação e atendem 30 mil associados em Campina Grande

O movimento de associações comunitárias em Campina Grande começou em 1963 com a fundação da Sociedade de Amigos de Bairro (SAB) de José Pinheiro. Mas de lá para cá muita coisa mudou na atuação das entidades sociais que tiveram de se adequar para manter a força de mobilização e reivindicação.

Atualmente a cidade possui 58 SABs cadastradas na União Campinense de Equipes Sociais (UCES). Em média, cada entidade possui cerca de 500 associados e juntas atendem um público total estimado em mais de 30 mil usuários no município.

Para os líderes comunitários, as SABs estão tendo que enfrentar uma dificuldade maior para obter o engajamento do população, mas a aparente falta de mobilização significa mudança de estratégia. As entidades cada vez mais abandonam os protestos de rua para representar a população de forma institucional.

“A nossa reivindicação ainda continua forte, a gente só mudou a forma e adotou uma via institucional. Acreditamos que isso é um avanço, pois a nossa atuação está mais politizada e ao menos tempo de desvinculando da atuação partidária. Temos maior independência porque estamos discutindo de igual para igual com os poderes públicos, de acordo com uma pauta de reivindicações apresentada pela via institucional”, avalia João Batista Pereira, presidente da UCES.

O trabalho comunitário desenvolvido pelas SABs está presente em praticamente todas as localidades de Campina Grande. O número de SABs supera a quantidade de bairros na cidade, que atualmente é de 51, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto o total de SABs vai chegar a 60 até o final do ano, estão presentes também nos distritos. Em bairros onde a população é maior há mais de uma unidade para atender as necessidades mais próximas da comunidade.

O perfil das SAB’s em Campina Grande é o trabalho assistencial para a população carente. São projetos sociais para todas as idades, cursos profissionalizantes para homens e mulheres como corte e costura, cabeleireiro, reciclagem, aulas de capoeira, informática. Há ainda encaminhamento para realização de consultas médicas a até distribuição de alimentos comida para as áreas mais carentes em situações de emergência, além de oferecer lazer para a população em suas sedes.

Essas entidades funcionam muitas vezes como um elo entre os mais carentes e o poder público. Problemas de saneamento, buracos nas ruas, falta de segurança são sempre assuntos discutidos por estes representantes do povo. “Temos hoje um canal de diálogo permanente com o poder público. Mas é uma parceria de resultados e não uma relação de atrelamento ou subserviência. Se não cumprir o que for prometido nós vamos denunciar seja através da imprensa ou dos tradicionais protestos de moradores”, explica João Batista.

Grande parte dessas entidades é construída com recursos da própria população, com ajuda de associados que são membros do próprio bairro. Para a construção das sedes são realizados mutirões, onde os moradores se mobilizam. A manutenção é feita principalmente com a colaboração da comunidade, seja através da contribuição direta em dinheiro ou com trabalho voluntário, apesar da existência de parcerias entidades a Prefeitura e Governo do Estado. É com esse sistema de ‘rede social cooperativa’ que trabalha, por exemplo a associação do bairro do Centenário.

“A SAB do Centenário trabalha com ações para todas as idades. Nas tardes da terça-feira temos uma equipe de voluntários que serve sopa para idosos e nos sábados e quartas vem um professor voluntário para dar aulas de capoeira para crianças até adultos da terceira idade”, conta José Sobreira Farias, presidente da entidade.

Publicado no Jornal da Paraíba do dia 24 de Julho de 2011.

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